Há alguns dias eu queria escrever sobre isso. Assistindo a TV, tinha essa cantora que apresentava uma música nova. O som que ela fazia era um tipo de pop reggae, o que não me agrada muito, e a letra falava a respeito da infância e de como ela e sua irmã eram excluídas do círculo social das populares. Eu também fazia parte dessas crianças impopulares, do cabelo alto e roupas não descoladas. Foi uma época difícil, mas hoje eu vejo que aquela situação foi o que mais contribuiu para que eu seja a pessoa que sou hoje. Não vou dizer que sou feliz por ter passado por aquilo, mas já que passei sou feliz por ter tirado algo de bom . Minha personalidade foi construída a partir de experiências difíceis e falta de aceitação. Obviamente minha aparência física era o que mais influenciava para que isso ocorresse. Uma coisa que eu sempre digo pra uma amiga é, ”nossa personalidade também se constitui por fatores físicos”. As pessoas costumam pensar que personalidade é dissociada de aparência física, que “eu posso ser feia por fora mas linda por dentro”. Você aí já viu alguém insatisfeito com a auto-imagem andar saltitante? Eu não. Se por fora a coisa anda “feia” por dentro muito provavelmente também vão ter coisas não tão agradáveis de se apresentar. Eu era muito tímida, agressiva, e não conseguia me relacionar bem com os garotos. Depois de alguns anos fui aprendendo a me cuidar, desenvolvendo minhas preferências por roupas, sapatos E garotos. Posso não ser uma lady, mas não ando mais tão desgrenhada, e sei discernir alguém que valha a pena de um babaca fútil. Mas voltando ao que eu pretendia dizer antes, no meio da música ela falava algumas coisas como “what goes around, comes around” e “a garota linda da escola agora me pedia um trocado”. Sinceramente? Eu agora não tenho a mínima vontade de ter sido uma delas. E o que eu desde o começo queria dizer é que as pessoas não precisam ficarem pobres, pedindo esmola ou gordas com 7 filhos pra você sentir que deu a volta por cima. Até pq isso de esmola é tão fictício, soa tão bobo. Não me agrada essa idéia de contos de fadas, da princesa malvada que ficou pobre ou se deu mal no final. Minha volta por cima foi ter aprendido coisas que pra elas é corriqueiro, com muito mais afinco. Saber dar valor ao auto-cuidado, e também reconhecer o valor das pessoas. Saber que existem mil outras alternativas de viver a vida, e ser bem sucedida nela, não necessariamente sendo o centro da beleza e atenção alheia. Nesse momento da minha vida eu percebo que sei ser muito mais autônoma no quesito relacionamentos, sei encontrar satisfação em outras coisas. Sei também que nenhuma delas se passasse por uma situação difícil teria um terço da força e determinação que eu tenho. Não quero aqui dizer que eu sou demais e que tive um happy end. Só que meu começo foi árduo, e eu me fortaleci muito mais. Quanto a elas, que continuem suas vidas, sendo felizes com o que conseguem ser.
Adorei o texto (: