Sam sempre foi um garoto esquisito. Todos sempre tiveram consciência de suas inabilidades, porém os costumes da época os impediam de se manifestar à respeito. E esta regra, que se mantinha velada, não ousou ser quebrada durante a pequena existência de Sam. Durante seus ataques, que pode se dizer ocorriam com frequência compreensível visto pela quantidade de zombarias e chacotas que o estranho menino era submetido, todos o tratavam com rispidez, talvez justificada pela ignorância da qual todos tanto se orgulhavam. Um certo dia, o inocente garoto caminhava, seguindo mecanicamente o caminho que com esforço aprendera para chegar à sua casa. Sam escutou vozes e ao se virar um empurrão súbito o fez ir de encontro ao chão. Eram os garotos de sua turma na escola. Eles berravam palavras que Sam não conseguia entender direito, mas toda aquela situação fez com que ele ficasse extremamente assustado. Sam não conseguiu gritar como de costume, ele apenas se calou frente a todos aqueles insultos. O garoto ainda não sabia, mas aquele instante iria mudar os rumos de sua vida. Arnold um outro garoto que morava próximo à Sam passava perto de todo aquele alvoroço e ao ver Sam caído no chão foi instintivamente ajudá-lo. Arnold não era um garoto forte, e muito menos hábil com brigas, porém conseguiu afastar os zombadores. Sam mesmo atordoado com toda aquela situação percebeu. Ele havia ganhado um amigo. Após aquele episódio os laços de amizade se fortaleceram rapidamente entre os dois garotos. Arnold sempre estava por perto quando Sam precisava, e eles partilharam momentos que Sam jamais teria a chance de viver longe do bom amigo. Arnold era um garoto prestativo. Aquilo fazia parte dele. Arnold não recusava ajuda, e isso na maioria das vezes trazia grandes problemas. Sempre que interpelado sobre a possibilidade de conseguir algo, ele dava o seu melhor e trazia o que desejavam. O menino dentro de seu colégio era conhecido por conseguir assinaturas, declarações e outras coisas de difícil acesso. Arnold nunca foi impopular mas era amigo de Sam. Este certa vez tentou algo que sua capacidade cognitiva o impedia. Queria agradecer o companheirismo e a importância que recebera tão prontamente do amigo, sem nunca ter retribuído de forma equivalente. Sam tentou dizer algumas palavras, mas era impossível organizá-las de forma inteligível. Arnold percebeu a intenção de Sam e o impediu de continuar. Palavras não eram necessárias. Arnold viu nos olhos infantis do amigo tudo que ele pretendia dizer. A relação de Sam e Arnold estava á um nível acima das demais. Eles conseguiam se comunicar pelo olhar.
Que lindo!