Eu tava tomando banho hoje e me lembrando de aproveitar bem os meus pés. Eles estavam machucados por causa do episódio do post anterior, e só agora eu posso tomar banho, deixar a água cair neles e esfregar bem sem sentir dor. Eu sempre faço isso, de me lembrar de aproveitar uma condição saudável, depois de algum tempo de tormenta. Daí eu fico mentalizando: ” quando eu melhorar, todos os dias vou me lembrar de como eu estou sofrendo, e de como é bom não me sentir mais assim”. Isso acontece sempre que:
- Eu por causa da minha sinusite, fico com tosse de tuberculose. É terrível, pq minha sinusite varia de acordo com os ventos, e eu vira e mexe tô tossindo. E eu mal começo a tossir e já tomo todos os xaropes que tem aqui em casa. Saio carregando garrafas de água, e doces pra poder mastigar. Mas é só eu chegar na aula ou em algum lugar com muitas pessoas eu começo a ter os ataques. E as pessoas me olham com cara de nojo e dão aquela afastadinha básica. Pq ninguém quer se contaminar com tuberculose né? Eu me esforço ao máximo pra expelir o catarro, mas ele tem uma ligação afetiva muito forte comigo. Não aguenta ficar muito tempo longe de mim… E antes de ir embora ele sempre faz questão de deixar aquela “marquinha” pra que eu sempre me lembre da presença dele. Tipo um “xis” no seu coração.
- Há algum tempo atrás eu peguei conjuntivite. Você deve saber que essa doença não é lá das mais agradáveis. As pessoas geralmente contraem a bacteriana, mas eu contraí a viral. Ela é mais forte e mais difícil de tratar. E eu acordava todos os dias com os olhos colados, doloridos e lacrimejantes. E quando eu me olhava no espelho, tinha a impressão de ter sido espancada na noite anterior. Os meus olhos ficaram tão inchados que até eu tinha vergonha de mim mesma. E isso aconteceu bem numa época que eu não podia faltar às aulas da faculdade. Dái que eu andava por aí de Ray-Ban, até ai tudo normal, o estranho é quando você entra na sala de aula com ele, e assiste à aula com ele também. As pessoas suspeitavam que tivesse algo errado. Deveriam imaginar que eu fui acometida de cegueira repentina. E elas perguntavam e eu dizia. O ruim era quando pediam para ver. Os colírios não estavam funcionando, e eu resolvi ir sem os óculos pra aula. Foi pior ainda. As pessoas evitavam contato e ficavam repetindo ” eu não quero pegar, hein?” com aquele risinho amarelo na cara. Eu respondia educadamente, como se contagiar as pessoas dependesse de mim. Demorou pra caralho, pra eu melhorar e até hoje eu tenho lembranças melancólicas dessa época. Foi realmente triste. Tinha dias que eu chorava, querendo melhorar. Só o que eu podia fazer era arrancar as remelas do olho e limpar o pus com o lencinho. Pq a lágrima saía em forma de secreção, coisa linda de se ver, viu? Por causa dessa merda toda hoje eu sou cegueta. Uso óculos e tal.
- Sempre que saio, eu tento me lembrar de quando voltar pra casa, comer e beber algo, pq a ressaca do outro dia fica muito mais foda quando vc não faz isso. E como já deve ser de se esperar eu NUNCA faço isso. Mal chego em casa e já tô capotando. No dia anterior eu acordo que nem um panda em estado de falecimento por desidratação. Pq se eu não me lembro de comer veja lá tirar maquiagem. Daí vou rastejando até a cozinha soco algo no estômago e volto rastejando pra cama. Fico em estado de catatonia até melhorar. Só eu e meu travesseiro sabemos as sensações horrendas que sinto até melhorar. Mas óbvio, eu nunca abriria mão do álcool pra não sentir isso. Tudo tem o seu lado ruim, e nesse caso eu só penso na parte boa mesmo.