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Para ler ouvindo: The Killers – Romeo and Juliet

Eu me lembro perfeitamente da primeira vez que nos beijamos. Aconteceu depois de bebermos e conversarmos horas à fio sentados no bar. É incrível como ele consegue falar sobre todos os assuntos sem parecer um babaca bajulador. Eu dei boas risadas quando ele me disse que gosta de música brega. Que em uma das viagens dele quase conheceu o Fagner, mas aparentemente ele também estava em férias, com seu respectivo namorado. Também ri quando ele categoricamente afirmou que não só ele, mas todos os amigos dele tem certeza absoluta de que a Gretchen é frígida. Eu não teria ficado escandalizada ou achado ele um pervertido por ter visto um filme pornô, mas foi tão educado da parte dele ter se recusado a me dizer o porque de tanta certeza deles. Ele tem o sorriso mais bonito de que eu consigo me lembrar. Os dentes dele não são bonitos. Na verdade os dentes nem aparecem. Os lábios permanecem fechados e ligeiramente curvados pra baixo. O que fica lindo são os olhos, que parecem se iluminar e ficarem ainda mais verdes quando ele está sorrindo. Ele tem a mão pequena, com as unhas curtinhas. Eu até cheguei a perguntar se ele as roia. E toda vez que ele mexia no cabelo eu ficava lá, como uma tonta olhando praquela mão tão bonitinha. Ele também tem um balanço. Eu não sei explicar direito, mas é exatamente isto que o torna tão descolado. Depois de tanto conversarmos eu já estava ansiosa pelo beijo. Mas ele incrivelmente parecia nem estar pensando nisso. Quando saímos do bar ele quis me levar pra outro lugar. Um espaço amplo e gramado. Eu nem gosto de grama, mas ele me fez sentar lá. Estava um frio congelante e a grama parecia tão molhada. Eu tremia de frio como uma idiota. Depois ele me fez deitar na grama. Sim, lá estávamos nós um do lado do outro deitados na grama. E ele começou a apontar pras estrelas e falar sobre elas. Isso tudo parece tão ridículo, porque eu sou o tipo de pessoa que normalmente não perderia um minuto do meu tempo olhando pro céu. E então ele começou a falar alguma outra coisa e eu me virei pra ele prestando atenção. E foi nesse momento que ele me beijou. Lembrar disso me faz pensar naquelas historinhas manjadas de filme de amor, mas foi assim que aconteceu. Foi o beijo mais gelado da minha vida. E foi o nosso primeiro.

Me lembrei esses dias que minha mãe me obrigou a participar do coral da igreja quando eu era mais nova. Lembrei enquanto assistia à algo na tv. Aquilo tudo era tão chato pra mim. Primeiro pq o coral era domingo de manhã antes da missa. Então eu tinha que acordar cedo pra ir pra aula, no sábado pra catequese e no domingo pro coral. Não tinha um só dia da semana em que eu pudesse dormir até mais tarde. Só eu e minha cama sabemos o apreço que eu tenho por dormir até tarde. Segundo pq a professora do coral era ( e ainda é, acredito eu) a mesma professora de artes da minha escola. Eu gostei de verdade de poucos professores na minha vida, e ela definitivamente não entrou pra esse rol. Eu sempre fazia meus trabalhos com muito cuidado, e dando o meu melhor. Mas nada agradava aquela mulher. Tudo tinha milhões de defeitos. Fora os trabalhos desnecessários de dança, que eu morria pra apresentar. O problema eram os shortinhos e tops. Eu nunca  fiz parte das gostosas da escola. Na verdade eu estava no outro extremo, então era bem sofrido dançar perante a sala toda e às vezes a escola toda. Outra coisa que me fazia odiar aquele coral era o pessoal que cantava lá. O coral era de crianças então quando eu entrei as panelinhas estavam formadas. Mas veja, eram panelinhas insolúveis. Então tinha a panelinha das top ( que incluía as filhas da professora, pq será né? ) a panelinha dos roqueiros ( não, não eram roqueiros de verdade, eles só usavam all star) a panelinha dos nerds, a panelinha dos feios e alguns avulsos. Eu tentei arduamente fazer parte de algum desses grupos, mas o lance tava tão cristalizado que foi impossível. Só me restou odiar a todos e ficar só nos ensaios e apresentações. Então que eu desenvolvi uma vingança. No começo era só preguiça mesmo, mas depois aquilo me trouxe uma sensação boa. Como eu chegava cansada nos ensaios eu meio que só movia a boca, sem cantar. É isso mesmo. Eu fingia cantar. No meio da missa era o que eu mais fazia. Eu só cantava umas duas musicas, que eram as que eu gostava. E eu via a professora lá se esforçando e pedindo pro pessoal cantar com força e eu, orgulhosamente só movendo os lábios. Depois de algum tempo eu consegui enrolar a minha mãe e parei de ir pro coral da chatice. Mas lembrando agora, foi muito bom enganar aquele povo. Melhor ainda foi sair de lá.

( aviso: texto sem revisão)

Sam sempre foi um garoto esquisito. Todos sempre tiveram consciência de suas inabilidades, porém os costumes da época os impediam de se manifestar à respeito. E esta regra, que se mantinha velada, não ousou ser quebrada durante a pequena existência de Sam. Durante seus ataques, que pode se dizer ocorriam com frequência compreensível visto pela quantidade de zombarias e chacotas que o estranho menino era submetido, todos o tratavam com rispidez, talvez justificada pela ignorância da qual todos tanto se orgulhavam. Um certo dia, o inocente garoto caminhava, seguindo mecanicamente o caminho que com esforço aprendera para chegar à sua casa. Sam escutou vozes e ao se virar um empurrão súbito o fez ir de encontro ao chão. Eram os garotos de sua turma na escola. Eles berravam palavras que Sam não conseguia entender direito, mas toda aquela situação fez com que ele ficasse extremamente assustado. Sam não conseguiu gritar como de costume, ele apenas se calou frente a todos aqueles insultos. O garoto ainda não sabia, mas aquele instante iria mudar os rumos de sua vida. Arnold um outro garoto que morava próximo à Sam passava perto de todo aquele alvoroço e ao ver Sam caído no chão foi instintivamente ajudá-lo. Arnold não era um garoto forte, e muito menos hábil com brigas, porém conseguiu afastar os zombadores. Sam mesmo atordoado com toda aquela situação percebeu. Ele havia ganhado um amigo. Após aquele episódio os laços de amizade se fortaleceram rapidamente entre os dois garotos. Arnold sempre estava por perto quando Sam precisava, e eles partilharam momentos que Sam jamais teria a chance de viver longe do bom amigo. Arnold era um garoto prestativo. Aquilo fazia parte dele. Arnold não recusava ajuda, e isso na maioria das vezes trazia grandes problemas. Sempre que interpelado sobre a possibilidade de conseguir algo, ele dava o seu melhor e trazia o que desejavam. O menino dentro de seu colégio era conhecido por conseguir assinaturas, declarações e outras coisas de difícil acesso. Arnold nunca foi impopular mas era amigo de Sam. Este certa vez tentou algo que sua capacidade cognitiva o impedia. Queria agradecer o companheirismo e a importância que recebera tão prontamente do amigo, sem nunca ter retribuído de forma equivalente. Sam tentou dizer algumas palavras, mas era impossível organizá-las de forma inteligível. Arnold percebeu a intenção de Sam e o impediu de continuar. Palavras não eram necessárias. Arnold viu nos olhos infantis do amigo tudo que ele pretendia dizer. A relação de Sam e Arnold estava á um nível acima das demais. Eles conseguiam se comunicar pelo olhar.

Pq eu não consigo parar de excluir meus contatos do orkut? Virou vício. Daqui a pouco só vai ter meia dúzia de pessoas.

Eu preciso mesmo aprender o uso correto dos porquês. É meio constrangedor sempre usar essa abreviação internética.

*pior é quando a pessoa te re-adiciona, que você tem que recusar no carão.

Eu tava tomando banho hoje e me lembrando de aproveitar bem os meus pés. Eles estavam machucados por causa do episódio do post anterior, e só agora eu posso tomar banho, deixar a água cair neles e esfregar bem sem sentir dor. Eu sempre faço isso, de me lembrar de aproveitar uma condição saudável, depois de algum tempo de tormenta. Daí eu fico mentalizando: ” quando eu melhorar, todos os dias vou me lembrar de como eu estou sofrendo, e de como é bom não me sentir mais assim”. Isso acontece sempre que:

- Eu por causa da minha sinusite, fico com tosse de tuberculose. É terrível, pq minha sinusite varia de acordo com os ventos, e eu vira e mexe tô tossindo. E eu mal começo a tossir e já tomo todos os xaropes que tem aqui em casa. Saio carregando garrafas de água, e doces pra poder mastigar. Mas é só eu chegar na aula ou em algum lugar com muitas pessoas eu começo a ter os ataques. E as pessoas me olham com cara de nojo e dão aquela afastadinha básica. Pq ninguém quer se contaminar com tuberculose né? Eu me esforço ao máximo pra expelir o catarro, mas ele tem uma ligação afetiva muito forte comigo. Não aguenta ficar muito tempo longe de mim… E antes de ir embora ele sempre faz questão de deixar aquela “marquinha” pra que eu sempre me lembre da presença dele. Tipo um “xis” no seu coração.

- Há algum tempo atrás eu peguei conjuntivite. Você deve saber que essa doença não é lá das mais agradáveis. As pessoas geralmente contraem a bacteriana, mas eu contraí a viral. Ela é mais forte e mais difícil de tratar. E eu acordava todos os dias com os olhos colados, doloridos e lacrimejantes. E quando eu me olhava no espelho, tinha a impressão de ter sido espancada na noite anterior. Os meus olhos ficaram tão inchados que até eu tinha vergonha de mim mesma. E isso aconteceu bem numa época que eu não podia faltar às aulas da faculdade. Dái que eu andava por aí de Ray-Ban, até ai tudo normal, o estranho é quando você entra na sala de aula com ele, e assiste à aula com ele também. As pessoas suspeitavam que tivesse algo errado. Deveriam imaginar que eu fui acometida de cegueira repentina. E elas perguntavam e eu dizia. O ruim era quando pediam para ver.  Os colírios não estavam funcionando, e eu resolvi ir sem os óculos pra aula. Foi pior ainda. As pessoas evitavam contato e ficavam repetindo ” eu não quero pegar, hein?” com aquele risinho amarelo na cara. Eu respondia educadamente, como se contagiar as pessoas dependesse de mim. Demorou pra caralho, pra eu melhorar e até hoje eu tenho lembranças melancólicas dessa época. Foi realmente triste. Tinha dias que eu chorava, querendo melhorar. Só o que eu podia fazer era arrancar as remelas do olho e limpar o pus com o lencinho. Pq a lágrima saía em forma de secreção, coisa linda de se ver, viu? Por causa dessa merda toda hoje eu sou cegueta. Uso óculos e tal.

- Sempre que  saio, eu tento me lembrar de quando voltar pra casa, comer e beber algo, pq a ressaca do outro dia fica muito mais foda quando vc não faz isso. E como já deve ser de se esperar eu NUNCA faço isso. Mal chego em casa e já tô capotando. No dia anterior eu acordo que nem um panda em estado de falecimento por desidratação. Pq se eu não me lembro de comer veja lá tirar maquiagem. Daí vou rastejando até a cozinha soco algo no estômago e volto rastejando pra cama. Fico em estado de catatonia até melhorar. Só eu e meu travesseiro sabemos as sensações horrendas que sinto até melhorar. Mas óbvio, eu nunca abriria mão do álcool pra não sentir isso. Tudo tem o seu lado ruim, e nesse caso eu só penso na parte boa mesmo.

Comprei uma melissa nova de aniversário. Toda linda, bem a que eu queria. E hoje de manhã resolvi ir à aula com ela. Óbvio para estrear logo, pq eu não aguento ficar olhando muito tempo sem usar de uma vez. Dá vontade de ir à padaria com a coisa, só pra dizer “ufa, usei”. Daí saí toda pintosa hoje de manhã, A-BA-LA-TI-VA. Me achando mesmo, pq eu realmente estava arrumadinha. Até achei que tinha mais caras olhando pra mim. E isso pode ser totalmente auto persuasivo eu sei. Quando estava me arrumando para sair, eu já sabia que tinha que colocar algum bandeid no pé, pq ia machucar. Mas acabei decidindo por ir sem mesmo. Então quando chego na aula meu pé já está todo acabado. Gente! Bateu desespero na hora. A parte do calcanhar na carne viva. E eu fiquei louca pra colocar alguma coisa ali. Pra conseguir minimamente er… andar! Saí pedindo adesivo pra todo mundo, pra colar no pé, e acredite, eu roubei um adesivo de uma colega. Tá, não foi tão horrível assim, eu estava falando com as meninas, que eu precisava de um adesivo, e uma delas disse: “a fulana tem, pega do dela”. É eu peguei sem a pessoa estar na sala. Mas como o machucado já estava feito, eu colei o adesivo, andei 2 metros e ele se dissolveu dentro da sapatilha. Caralho, foi tipo a caminhada de jesus à cruz pra mim hoje. Tá exagerado, mas entenda, eu sou do tipo que usa tênis. Sapatilha eu tenho uma outra, mas ela não machuca tanto. Agora imagine uma pessoa que só anda de tênis com duas meias, escalavrando o pé todo com uma sapatilha dessas. Dá um desespero. Então o tempo que fiquei lá foi contado minuto a minuto, e agora as pessoas estavam olhando pra mim com certeza, mas era pq eu parecia ter uma perna sem joelho. Andando devagarzinho e sem mexer a perna. Logo hoje que eu tive que ficar até mais tarde por conta de alguns trabalhos. Nossinhora, depois que desci do ônibus na volta, o caminho até a minha casa foi quilométrico. Quando cheguei em casa, nem entrei direito e fui tirando o sapato. Agora eu tô aqui com o pé todo lascado, doendo. Nem sei o que vou usar amanhã. Tô tristona meu.

Ouvindo diálogos alheios no ônibus:

- Nossa, na prova perguntaram o nome do mosquito da dengue. Até achei que era pegadinha.

-Sério? Que fácil. É aedes aegipcy né?

Hoje de manhã estava tomando banho, e começo mais um dos meus movimentos estereotipados de empurrar a água com o pé. Deve estar difícil de visualizar, mas é só jogar a água pro ralo mesmo. Então nessa bobeira sem fim pisei em falso, dei três pedaladas e catapuf! Tombão no banheiro. Achei que tinha acordado a rua toda, pq o barulho foi escroto. Daí rolam aqueles três segundos de ausência, que você fica estático, tentando elaborar o acontecido. Ou pensando na morte da bezerra mesmo, como prefira. Quando a gente cresce, fica com a idéia de que só quem leva tombos, são as crianças, então quando acontece uma coisa dessas você fica assustado. Sei lá, desestabiliza mesmo. Meu pai diz maldosamente que o que mata véio, é queda e caganeira. Devo estar ficando velha, então. Talvez eu seja como os cães, sete anos em um. Só sei que na hora achei que tinha rasgado todos os dedos do pé esquerdo, e destruído o pouco de bunda que acredito ter. Foi um movimento meio início do freeze (hip hop). Bom os dedos não estão cortados, só doloridos, mas o estado da bunda ainda não verifiquei.

Eu tenho uma colega de faculdade que realmente merece um post. Eu conheci ela por intermédio de uma amiga (sobrinha dela), e o engraçado é que ela é do mesmo curso que eu, e nós nunca tínhamos conversado antes. Então depois que fiquei sabendo da existência da G, ela só trouxe coisas boas pra minha vida. Mesmo sem nem me conhecer direito, ela de cara já me ofereceu carona. E eu como  bela pobretona que sou, aceitei sem nem hesitar. Então nós vamos juntas e ela sempre é super preocupada comigo. Me espera sempre quando me atraso, me liga pra saber se eu vou mesmo. E sempre que ela tem que ir embora mais cedo e não pode me dar carona na volta,  pergunta se eu preciso de dinheiro pra passagem. Não eu não preciso, mas só o fato dela oferecer, já é inacreditável.  E não são só as caronas, ela também me empresta apostilas, trabalhos e tudo que pode. A G tem uns cinquenta e poucos anos, então ela tem dificuldade em fazer algumas coisas no computador… Sempre que posso eu a ajudo com os trabalhos. Dou algumas explicações de conteúdos que ela não entendeu. Mas  sempre me sinto em dívida. Eu e a G não temos quase nada em comum, nos conhecemos a pouco tempo, e ela sempre tão disponível e prestativa. Quando eu acho que dificilmente alguém que se aproximar de mim vai valer apena, surge a G. Sim ela é uma em muitos, rara. O tipo de pessoa que não se acredita que ainda existam. E veja, eu não tenho nem metade da idade dela, e já sou tão descrente nas pessoas.

Disparate

Acredite, existem pessoas que tem a ousadia de perguntar se você  crê em deus, dentro de um ônibus lotado.

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